segunda-feira, 16 de novembro de 2009

- E assim os dias vão... -

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Salve, salve cambada! Hoje trouxe mais uma surpresa pra vocês. A música de trabalho do primeiro CD solo de Manno Góes. Como no lançamento de "Tá esperando o que?", eu recebi essa música há alguns dias, na condição de guardá-la até hoje. E assim, mais uma vez, foi feito.

Composição do próprio Manno, a música "E assim os dias vão" é um pop rock, bem diferente do estilo axé do Jammil, e faz parte do CD homônimo que será lançado em dezembro pela Som Livre.

Pra fazer o download, basta clicar aqui e seguir as instruções! No mais, parabéns ao Manno duplamente: pela música e pelo aniversário hoje!


E assim os dias vão
Manno Góes

Janelas acordam, pessoas se levantam
Os telefones tocam, cachorros se espantam
Os carros correm, avançando os sinais
As crianças dormem pro sossego dos seus pais

As ondas se quebram, os cabelos caem
Os velhos esperam, as pessoas traem
Os gatos se lambem, aviões cruzam o céu
Enquanto as portas rangem, as abelhas fazem mel

E assim os dias vão
E eu me acostumando a viver
Simplesmente os dias vão
E eu me acostumando a viver sem você

As famílias crescem, mulheres engravidam
Os pólos derretem, os ferros se oxidam
Flores nascem, morrem todo dia em jardins
Tudo que é pra sempre, sempre um dia tem um fim...


Felipe Linhares
16 de novembro

[E assim os dias vão... - Manno Góes]

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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

- Cada um no seu quadrado -

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Se tem um programa que eu me amarro e não dispenso nunca, é reunir amigos em volta de uma mesa de bar, beber uma Brahma e jogar conversa fora. Há quem diga que não sai "nada que preste" em rodas de conversa assim. Eu, por experiência própria, discordo.

Não vou negar que falamos muita besteira. Falamos da vida dos outros, quem tá comendo quem, putaria, contamos piadas ridículas e fazemos trocadilhos infames. Mas, como tudo na vida, tem seu lado sério. E eu adoro essas "filosofias de buteco", primeiro, porque a quase totalidade dos bêbados não consegue mentir e, segundo, porque o ambiente nos permite viajar nas idéias e eu acabo escrevendo sobre o que foi discutido aqui no blog, dias depois.

Sexta-feira passada, fomos pra um barzinho aqui perto. Eu e uma galera que formou comigo em dois mil e quatro o ensino médio. Apesar do tempo de formados, a gente tá sempre por perto, se vendo, mantendo os laços que foram criados ao longo dos anos no colégio. Eu gosto disso. Apesar de cada um ter seguido um rumo, estudado um curso diferente em faculdades diferentes, a amizade continua. Mas enfim, esse não é o assunto.

Entre uma cerveja e outra, várias pautas em questão. Eis que a gente decide pedir um tira-gosto e o garçon chega com o cardápio.

_ Oba, bolinho de bacalhau! - grita o primeiro.
_ Não, eu não como bacalhau. Vamos de picanha? - alguém discorda.
_ Não, não quero churrasco. Vamos pedir só a porção de fritas mesmo. - um terceiro dá o palpite.
_ Ah, queria algo mais molhado... Um caldo, sei lá!
_ Já sei, vamos pedir um quarto de cada prato. - sugere um outro - Cada um come o que quer e ficamos todos satisfeitos.
Um silêncio toma conta da mesa.
_ É, gente... - se justifica - ...em casa é uma TV pra cada um. Por que no barzinho não pode ser uma comida pra cada um?

Acabamos entrando num consenso e pedindo um prato único, mas esse assunto ficou martelando na minha cabeça levemente alcoolizada. De certa forma, ele tinha razão. Não que a gente precisasse pedir porções individuais, mas sobre a individualidade que os dias de hoje nos empurra goela abaixo.

Talvez pela diversidade de opções ou pelos gostos cada vez mais variados, a gente tem se afastado uns dos outros, até mesmo dentro de casa. Ou talvez pela facilidade de se adquirir um bem, sei lá... Um quer assistir a novela, outro o seriado e o outro o reality show. Não há brigas: cada um assiste em sua própria TV, trancado no quarto. Quando cada casa só tinha um aparelho de televisão, todos se reuniam na sala e, como aconteceu no barzinho, entravam num consenso e assistiriam o que a maioria preferisse. Tudo bem que, ainda assim, não havia diálogo durante a programação e assistiam todos mudos, feito gado sendo tocado pelo boiadeiro, mas estavam ali, juntos.

É o preço que se paga pelo desenvolvimento. Hoje é cada um com sua TV, seu notebook, seu iPod no ouvido, seu livro... Cada um com seu cada um. Cada um no seu quadrado. E viva a filosofia de buteco!


Felipe Linhares
26 de outubro

[Encontro - Maria Gadú]

P.S.¹: Tava pensando em escrever sobre as drogas, inspirado no carinha que matou a amiga sufocada no Rio de Janeiro, no último fim de semana. Mas sei lá... Acho um assunto muito baixo astral. Eu fico triste com notícias assim, de verdade. E o pior: a maioria das pessoas sempre acha que acontece com o vizinho, mas nunca com elas mesmas. Será? Enfim...

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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

- Tá esperando o que? -

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Salve, salva cambada! Hoje não vou escrever merda nenhuma pra vocês. Melhor que isso, vim lançar a nova música do Jammil, que começa a ser executada nas rádios de Minas Gerais e das regiões Norte e Nordeste do Brasil amanhã, dia 23, e no restante do país no dia 29.

Composição de Manno Góes, Tenison Del Rey e Paulo Vascon, "Tá esperando o que?" é a aposta da banda pro verão 2010.

Recebi a música há uma semana, com a condição de guardá-la em segredo até hoje. E assim o fiz. Então agora que o sinal ficou verde, chega de conversa fiada e vamos ao que interessa.

Pra fazer o download, basta clicar aqui e pronto! Espero que vocês gostem. Eu curti pra caralho! Se quiserem cantar junto, a letra é a seguinte:

"Já que a chuva foi embora
E o medo já passou
Quero flores na janela
Quero cores, primaveras
Verões, calor

Tá esperando o que?
O sol já tá pintando
As coisas tão mudando
Esperando o seu sorriso
Tá esperando o que?
Pra viver a vida
Pra virar o jogo
Pra você ficar comigo

Dararumdarumdê
Tá esperando o que?

Vem na onda do mar
Pegue a trilha do sol
Siga o seu coração
Chega mais perto
Tá tudo certo
Hoje tudo pode acontecer
Leve a vida leve
Tá esperando o que?"

Então é isso. Tão esperando o que pra espalhar a novidade? Parabéns ao Jammil pela música, parabéns aos compositores e muito obrigado, Manno Góes, pela confiança e credibilidade!


Felipe Linhares
22 de outubro

[Tá esperando o que? - Jammil e uma noites]

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domingo, 4 de outubro de 2009

- Yes, we créu na velocidade cinco! -

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Minha mãe sempre foi uma dona de casa exemplar. Sempre recebeu muitos elogios por seu tempero impecável, por manter a casa sempre em ordem, enfim... Sempre realizou com louvor a profissão que escolheu: cuidar da casa e dos filhos. Quando a gente recebia visita então, o zelo se multiplicava e tudo brilhava ainda mais por aqui. Não se via nada fora do lugar, estava tudo limpo, cheiroso e a comida boa era mais variada que muito self-service por ai. E foi assim a minha criação. Aprendi que pra receber visita, a casa devia estar em ordem, pra eles sentirem prazer em estar aqui, se sentirem acolhidos e com vontade de voltar sempre.

Na mesma semana em que roubaram a prova do ENEM - uma das provas mais ridículas e fáceis que eu já fiz na minha vida -, a cidade do Rio de Janeiro foi escolhida a sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Rolou uma puta festa na praia de Copacabana em plena sexta-feira ao meio dia, pra comemorar. Confesso que bateu até uma inveja daquelas cem mil pessoas na praia, àquela hora, enquanto eu quase me matava de tanto trabalhar. Mas enfim, era Rio, eram cariocas... Eles podem.

Confesso também que não fiquei tão feliz com a notícia como eu deveria ficar, como brasileiro. Falta de patriotismo? Acho que não. Excesso de patriotismo, eu diria. Vamos receber visitas importantes em pouco tempo - sim! Cinco anos até a Copa de 2014 e sete anos até as Olimpíadas é pouquíssimo tempo diante do trabalho que temos pela frente - e a casa está uma zona!

Quantas CPIs vamos ter que aturar até lá? Quantas provas roubadas? Quantos Sarney? Quantos mensalões? Quantos milhões de dólares escondidos na cueca? Quanta corrupção? Quantos políticos entrando e saindo, sem resolver nada? Quantos assaltos? Quantos sequestros? Quantos reféns? Quanta gente morrendo em corredores de hospitais à espera de atendimento? Desigualdade social até quando?

Qual a impressão os hóspedes terão a nosso respeito? Que imagem eles levarão quando voltarem pra casa?

Me preocupo com isso sim, da mesma maneira que minha mãe sempre se preocupou com as visitas aqui em casa. Me preocupo, porque amo o meu país, amo sua beleza natural. Mas não curto esse patriotismo cego que comemora por qualquer coisa, quando temos muito mais motivos pra cobrar do que pra soltar fogos de artifício.

E agora? Vão fazer o que? Recolher os mendigos na rua e trancá-los em abrigos durante os jogos? Vão tapar os buracos das rodovias com asfalto podre, que vão durar enquanto durarem as competições? Lula vai criar a "Bolsa Suvinil" e doar tinta aos moradores da Rocinha pintarem a fachada de seus barracos e a favela parecer mais colorida e alegre? Maquiagem?

E a fome no norte e nordeste do país, como fica? E o caos no SUS? E a educação? Vão fazer o que contra as greves de professores, contra o vandalismo nas escolas? Vão fazer o que contra o analfabetismo? E a segurança? E a violência? E o transporte público? Vão maquiar também?

E agora? Vão investir no esporte? Ou vão achar bonito a gente terminar os jogos em casa com uma classificação medíocre no quadro de medalhas? Vão financiar e apoiar nossos atletas? Ou simplesmente virar as costas e deixar que eles se fodam, treinando por conta ou mendigando patrocínio de empresas privadas?

O Brasil não precisa de maquiagem. Já somos bonitos por natureza. A gente precisa, sim, de atitudes eficazes e permanentes. A gente precisa que resolvam nossos problemas pra nós mesmos, e não pro período dos jogos. A gente precisa "créu" neles, e não que eles "créu" na gente.

A gente precisa que arrumem a casa, e não que varram a poeira pra debaixo do tapete.


Felipe Linhares
04 de outubro

[Brasil - Cazuza]

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terça-feira, 29 de setembro de 2009

- Help wanted -

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"Procura-se pai". Não se assustem se abrirem os classificados dos jornais qualquer dia desses e encontrarem um anúncio desse tipo. Sou eu, procurando alguém.

Alguém que não apareça só quando chamado e que não seja chamado só quando é preciso resolver brigas bestas de irmãos mais bestas ainda. Mas alguém que apareça.

Alguém que não seja visto como um cartão de crédito gigante e que não goste de ser visto como tal. Alguém que esteja disponível a hora que eu precisar, nem que seja pelo celular. Alguém que baste eu teclar oito dígitos no telefone pra ouvir a voz do outro lado, sem precisar de intermediários. Sem precisar ligar pra ninguém pedindo pra esse tal "ninguém" entrar em contato no celular secreto e pedir pro "alguém" me ligar.

No anúncio serei eu procurando alguém pra conversar, pra me dar bronca, pra xingar quando eu estiver errado. Alguém que não minta, nem omita. Alguém que ao menos finja se importar com meus assuntos, minhas ansiedades, meus planos. Não precisa nem chegar em casa com lanches gostosos. Aliás, não precisa nem morar na minha casa, não precisa nem comer a minha mãe - e eu até prefiro assim -, muito menos ser tão mais velho que eu.

Procura-se alguém que eu sempre tive, sem ter. Ou que eu nunca tive, mas tive pelo menos por perto, sempre, presente. E o principal: procura-se alguém que não me troque por qualquer boy toy daqui a alguns anos. Alguém?


Felipe Linhares
29 de setembro

[Deixa chover - Mr. João]

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domingo, 13 de setembro de 2009

- Quando falta inspiração... -

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...a gente usa a dos outros. E hoje, vai um texto de Clarice Lispector, com adaptações.


"Rifa-se um coração quase novo. Um coração idealista. Um coração como poucos. Um coração moleque que insiste em pregar peças no seu usuário.

Rifa-se um coração que na realidade está um pouco usado, meio calejado, muito machucado e que teima em alimentar sonhos, e cultivar ilusões. Um pouco inconseqüente, que nunca desiste de acreditar nas pessoas. Um leviano e precipitado coração. Um idealista... Um verdadeiro sonhador...

Rifa-se um coração que nunca aprende. Que mantém sempre viva a esperança de ser feliz, sendo simples e natural. Um furioso suicida que vive procurando relações e emoções verdadeiras.

Rifa-se um coração que insiste em cometer sempre os mesmos erros. Esse coração que erra, briga, se expõe. Perde o juízo por completo em nome de causas e paixões. Sai do sério e, às vezes, revê suas posições arrependido de palavras e gestos. Este coração tantas vezes incompreendido. Tantas vezes provocado. Tantas vezes impulsivo.

Rifa-se este desequilibrado emocional que, abre sorrisos tão largos que quase dá pra engolir as orelhas, mas que também arranca lágrimas e faz murchar o rosto. Um coração para ser alugado, ou mesmo utilizado por quem gosta de emoções fortes. Um órgão abestado indicado apenas para quem quer viver intensamente e, contra indicado para os que apenas pretendem passar pela vida matando o tempo, defendendo-se das emoções.

Rifa-se um coração tão inocente que se mostra sem armaduras e deixa louco o seu usuário. Um coração que quando parar de bater, ouvirá o seu usuário dizer para São Pedro na hora da prestação de contas: 'O Senhor poder conferir: eu fiz tudo certo, só errei quando coloquei sentimento. Só fiz bobagens e me dei mal quando ouvi este louco coração de criança que se recusa a envelhecer'.

Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por outro que tenha um pouco mais de juízo. Um órgão mais fiel ao seu usuário. Um amigo do peito que não maltrate tanto o ser que o abriga. Um coração que não seja tão inconseqüente.

Rifa-se um coração cego, surdo e mudo, mas que incomoda um bocado. Um verdadeiro caçador de aventuras que, ainda não foi adotado, provavelmente, por se recusar a cultivar ares selvagens ou racionais, por não querer perder o estilo. Oferece-se um coração vadio, sem raça, sem pedigree. Um simples coração humano. Um impulsivo membro de comportamento até meio ultrapassado. Um modelo cheio de defeitos. Um velho coração que convence seu usuário a publicar seus segredos e a ter a petulância de se aventurar como poeta."


Felipe Linhares
13 de setembro

Valeu pela dica, Carlinha!

[Ouro pra mim - Myllena]

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segunda-feira, 7 de setembro de 2009

- Brazilian [independence] day -

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Então que hoje é feriado por aqui, ?! Há cento-e-sei-lá-quantos anos, um Zé Mané montado numa mulinha gritava "independência ou morte" às margens do Rio Ipiranga. É, aquele "risonho e límpido e risonho" que a Vanusa - bastante bêbada e alterada - tanto insistia em cantar semana passada.

Mas o fato é que desde aquele sete de setembro a gente ficou independente dos portugueses que só faziam nos explorar. O povo comemorou bastante aquela data, mas mal sabia que a tal independência seria somente histórica.

Foram-se os portugueses, ficaram os brasileiros. Os do colarinho branco, da pior espécie. Que continuam nos explorando, nos escravizando, nos roubando assim, ó, em plena luz do dia. E com a facilidade de nem precisar atravessar o Atlântico pra esconder o produto de seus furtos. Ao contrário, os exibem por aqui mesmo em luxuosos carros, helicópteros, latifúndios e secretárias gostosas. Mas enfim, é o Brasil, é a independência. Vamos comemorar!

Coincidência ou não, nesse feriadão rolou mais uma edição do Brazilian Day, festa que reúne brasileiros que estão fora do país em grandes cidades do mundo. Nesse ano, Nova Iorque, Toronto e Tóquio estavam no roteiro.

A banda "Jammil e uma noites" foi a escolhida pra animar os japoneses na tarde de ontem. Vi algumas fotos e assisti a alguns vídeos que fãs filmaram e colocaram no youtube. Parece que estava bem cheio, os brasileiros e japoneses se jogaram ao som brasuca e transformaram Tóquio, por algumas horas, em Salvador. Imagino que pros músicos tenha sido uma emoção e tanto. Tocar fora do país, do outro lado do mundo, pra uma multidão deve ser de arrepiar.

Mas penso mais ainda no outro lado. O lado do público, dos brasileiros que estão longe de casa, longe da família, no país mais distante do Brasil, com a cultura mais diferente. Tá que aqui a gente tem o Sarney, o PT e sua corja, mas deve bater uma saudade assistindo um show desse, ?! Saudade do cheiro do Brasil, do sotaque, do calor, da cerveja, do tempeiro. Uma saudade do rio Ipiranga risonho e límpido e risonho...


Felipe Linhares
07 de setembro

[Independência - Capital Inicial]

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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

- Uma esmola, pelo amor de Deus! -

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Hoje tinha tudo pra ser uma segunda-feira normal: muito trabalho - sério, tenho trabalhado tanto, que mal encontrando tempo pra "twittar" durante o dia -, soneca depois do almoço na casa da vovó, academia... Sim, fui correr hoje depois de ter ido só uma vez na semana passada. Agora vou ter que dobrar a intensidade pra compensar os dias perdidos e alguns excessos cometidos pelo prazer... er, digo... pelo pecado da gula.

Na volta da academia, passei na farmácia pra comprar alguns objetos de higiene pessoal quando, ainda no estacionamento, um senhor veio falar comigo. Magro, alto, um pano na cabeça e no escuro. Na hora eu pensei: "pronto, me fodi! Vai me roubar, levar o carro, me esfaquear e me deixar aqui sangrando. Qual o número do SAMU mesmo?". Mas mantive a calma e procurei ouvir o que ele tinha a me dizer.

Posso falar? Antes ele tivesse mesmo me assaltado, levado o carro e me esfaqueado. Pelo menos amanhã eu estaria estampado no "Super Notícia" - o jornal mais vendido do Brasil, comercializado aqui em BH e região por vinte e cinco centavos. O típico jornal que se torcer, sai sangue -, entraria pras estatísticas de violência na região metropolitana e daria entrada no seguro pra pegar um carro novo. Mas não, o cara veio com um papo que tava com dificuldades financeiras, que tava passando fome e que não tinha almoçado hoje, pras filhas poderem comer. As filhas, menos a mais nova, que tem alergia à comida e só pode tomar água e Leite NAN. Gente, o cara disse que a filha tem REFLUXO quando come outras coisas. Sério, o mendigo gastou o português dizendo "refluxo". Na hora, senti uma vibe "Fantástico" no ar - ontem mostraram uma reportagem com crianças alérgicas que só podem tomar esse tipo de leite - e continuei ouvindo aquela história sem a menor criatividade.

Entrei pra drogaria, separei o que eu tava precisando e, só por curiosidade, fui olhar o preço da lata do tal leite que a filha do cara precisa. Quarenta reais!!! Será que ele tava me achando com cara de patrão? Logo eu, um simples impressor falido?! Não é possível, ?! Ou vai ver me confundiu com o Renato Aragão e me achou com cara de embaixador da UNICEF e do Criança Esperança, só pode.

Descartada qualquer possibilidade de comprar o que ele me encomendou, paguei as minhas coisas e fui pro carro. Ele tava longe quando me viu voltando e correu pro meu lado. Quando eu disse que não tinha comprado o leite, achei que aquela seria a hora do esfaqueamento. O cara me olhou com sangue no olho, tipo "mendigo with laser". Fiquei só esperando a hora que ele fosse voar no meu pescoço ou enfiar a faca no meu bucho, mas pra minha sorte, ele só deu uma resmungada e saiu de perto. Caso contrário, não estaria aqui contando isso pra vocês.

No caminho de volta pra casa, tava me achando um criminoso por não ter comprado o leitinho "pras criança" do cara e uma dúvida não saía da minha cabeça: qual a lei que me obriga a dar esmola, hein?!


Felipe Linhares
31 de agosto

[Esmola - Skank]

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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

- Sobre objetivos e escolhas -

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Então que todo mundo tem um objetivo, seja a curto, médio ou longo prazo. Há quem tenha mais de um objetivo, ou metas paralelas, mas não há quem não tenha nenhum.

Existem pessoas que planejam muito e executam pouco. Essas passam a vida inteira tento idéias, articulando na mente e rascunhando alguma coisa, mas quando decidem praticar é tarde demais. Outras, só fazem executar, sem traçar metas e acabam se ferrando quando descobrem que fizeram tudo errado. Um bom planejamento é fundamental para que qualquer objetivo seja alcançado.

Eu dei essa volta toda, com esse papo de auto-ajuda bem do naipe do Paulo Coelho, só pra introduzir - no bom sentido - o meu assunto de hoje.

Acontece que há uns dois anos, mais ou menos, eu tomei uma decisão bem importante. Ela não vem ao caso agora, mas era uma parada que eu precisava fazer. Confesso que bem lá no fundo, eu não queria, sabia que não seria fácil - e não foi -, mas que seria necessário pro meu próprio bem e pra felicidade de quem eu gosto. Acho que não se tratava de uma escolha, mas de um "oi, faça isso logo e resolva a vida de vocês desde já, pra evitar sofrimento no futuro". E foi o que eu fiz.

Hoje, passado todo esse tempo, meu objetivo foi alcançado com cem por cento de aproveitamento. Saiu tudo exatamente como eu pensava. E ai você deve estar imaginando que eu estou radiante, ?! Pois é, errou. Alcançar um objetivo nem sempre é motivo de comemoração. Tudo bem que eu fiz o certo e não tenho uma gota de arrependimento, mas que bate uma pontinha de tristeza, ah, eu não vou negar...

Ainda não passei por isso, mas imagino que o que sinto hoje se pareça com o sentimento de um pai levando a filha pro altar no dia do casamento. Ele sabe que precisa fazer, tem plena consciência que as pessoas precisam ser felizes do jeito que escolheram, mas fica com um nó na garganta. Aposto que nenhum homem interpreta com bom gosto esse papel de "pai da noiva", nenhum homem quer entregar a filha de mão beijada pra um babaca que ele foi obrigado a conhecer. Mas cada um tem o seu objetivo...


Felipe Linhares
24 de agosto

[Russ Landau - My time will come]

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domingo, 9 de agosto de 2009

- Cybercomodismo -

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A internet é a ferramenta do século. Isso ninguém pode negar. Hoje, tudo é feito digitalmente, tudo on line. Um "bug" em qualquer site de relacionamento é motivo pra pânico e desespero. A gente se tornou tão dependente da grande rede que não nos imaginamos um só dia sem enviar um e-mail, fazer um download ou mandar um scrap. Essas atividades viraram rotina, um hábito como escovar os dentes após as refeições.

É inegável também que a internet aproxima as pessoas. Eu mesmo tenho muitos amigos que conheci através dessa tela e hoje são peças fundamentais e importantes na minha vida. A rede encurta distâncias.

Mas será que encurta mesmo? Depende do ponto de vista. Eu acredito que a internet nos deixou acomodados demais. Hoje nós deixamos de pegar um telefone e ouvir a voz de alguém, pra teclar por horas a fio em comunicadores instantâneos. Não marcamos mais encontros em shoppings e praças, mas chats no MSN. Acho que a gente ficou mais "distante" depois da popularização desses serviços. A gente se fala mais, mas com menos calor, menos contato. Menos pele, eu diria. Namoros não começam mais em festas, clubes e bairros. Começam e terminam no orkut, no twitter, no facebook. É raro hoje em dia alguém que se dar ao trabalho de pegar papel, caneta e escrever uma carta de próprio punho pra um amigo, namorado, enfim... Hoje a gente envia e-mails com vários erros de português, apesar de todos os corretores ortográficos disponíveis.

Outro péssimo hábito que desenvolvemos com as facilidades cibernéticas é o da preguiça. Lembro que quando eu estava começando a estudar inglês, o acesso à internet era bem restrito. A gente ainda usava conexão discada e só nos fins de semana, por ser mais barato. Além disso, os sites de letras de músicas eram bem limitados. Com isso, eu pegava a letra original das canções que eu ouvia e ia traduzindo verso por verso com um dicionário inglês-português impresso. - Sim, na época a Google ainda neeem pensava em inventar um tradutor on line. - E eu acredito que essa curiosidade de pesquisar as palavras desconhecidas e tentar dar sentido às frases me ajudou bastante no descobrimento desse, até então, novo idioma. Hoje quando bate curiosidade por alguma tradução, bastam dois ou três cliques, que aparecem várias na sua tela. É a comodidade que nos deixa preguiçosos.

Pesquisa de escola mesmo... Quem não lembra da Barsa? Quantas pesquisas eu já fiz ali, gente? Passava página por página até encontrar o que eu queria e depois fazia um resumo à lápis no caderno. E garanto a vocês uma coisa: aprendi muito mais que os estudantes de hoje, que só fazem pesquisar, achar o trabalho pronto e dar "ctrl+c", "ctrl+v" no Word, muitas vezes sem ao menos ler do que se trata. Talvez isso explique esse monte de adolescentes burros, que escreve mal, sem argumentos e sem curiosidade e interesse em aprender nada.

Eu sou completamente viciado em internet. Não passo um dia sem dar uma navegada e trocar alguns bytes, mas confesso: a internet é a grande ferramenta e o grande mal do século. Queria que meus filhos pudessem um dia usar um dicionário de papel...


Felipe Linhares
09 de agosto

[Viva la vida - Coldplay]

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