Confesso que o hábito de assistir televisão já não me pertence há um bom tempo. Com excessão do Big Brother que além de alimentar minha cultura inútil é um vício maldito, não tenho acompanhado quase nada pelo tubo mágico, talvez por conta de um outro vício - a internet. Por aqui eu sei o que tá acontecendo no mundo, na vida dos outros e, porque não, assisto o que me interessaria na tevê. Viva a tecnologia. E é justamente ela o meu assunto de hoje.
Não sei porque cargas d'água ontem eu cismei de assistir ao Fantástico e uma das matérias que me chamou mais atenção foi justamente sobre o uso da tecnologia no corpo do homem. Falavam algo sobre estudos que conseguiriam apagar da nossa memória fatos que a gente queira esquecer ou que nos façam mal.
Na mesma hora eu lembrei da vódca. JURO! Se tem alguma coisa nesse mundo que me faz esquecer dos fatos é essa bebida destilada. É beber e adeus memória recente. Assisti à reportagem atento pra comprovar a minha teoria de que Absolut está estreitamente relacionada à amnésia. Já estava pronto pra chamar os cientistas de burros por descobrirem só agora o que eu já sabia há alguns anos, mas perdi. Eles descobriram foi uma enzima que age em tal região do cérebro e blá, blá, blá... Nada que me interesse. Esses papos malucos de Professor Pardal. Mas em cima dessa matéria, pra variar, eu comecei a viajar na capacidade do homem de imitar Deus.
Imaginem só... Hoje eles conseguem me fazer esquecer do que eu não quero lembrar. Em breve, substituirão nossa massa encefálica pesada e cinzenta por um HD de cento e sessenta gigabytes super compacto. Em pouco tempo frequentar escola vai ser coisa do passado. Ao invés de aulas, livros, apostilas e mais aulas, um chip. É, o mesmo que a gente usa hoje em dia nos celulares. Chips subcutâneos com as informações necessárias pra tirar dez em todas as disciplinas. Chips com GPS integrado e de fábrica, pra ninguém se perder mais.No lugar do coração, uma bateria de lítio total flex, recarregável com energia solar ou eólica, pura e renovável. Nossos pulmões seriam substituídos por ventoinhas, afinal, nossa placa-mãe não pode aquecer demais [aquecimento, já basta o global]. Na ponta dos dedos, entradas e saídas USB. Tudo pela conectividade. Por falar nela, nossos olhos deixarão de ser somente olhos, virando sensíveis web-cams de vinte e um mega pixels de resolução ligados via bluetooth a um sensor wireless escondido atrás da orelha. Veias, artérias, neurônios, sangue? Esquece. No futuro serão fios, cabos, extensões. Transfusão e transplante serão coisas da época da sua avó gostosa. Em breve, só ouviremos falar em "upgrades" e "next level". Ossos serão substituídos por liga leve e os músculos por fibra ótica. Nada de luxações, torções e fraturas.
Será o fim da medicina. O futuro pertence à robótica. À inteligência artificial e aos sentimentos sintetizados em laboratório. Seremos Pinnóchios de aço inoxidável sem fada madrinha e, muito menos, a esperança de um dia nos tornarmos "meninos de verdade".
Felipe Linhares
13 de abril
[Admirável chip novo - Pitty]
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