Belo Horizonte,
30 de julho de 2009
Prezado São Pedro,
Imagino que o serviço ai no céu seja muito. Muita gente chegando, muito maluco querendo entrar, muito anjo travesso com a asa quebrada e os probleminhas burocráticos que rolam em toda organização. Mas espero que o senhor tenha alguns minutos livres parar ler essa correspondência. E sim, espero que esteja tudo bem com o senhor, porque por aqui o negócio está feio, viu?!
Gostaria muito de estar escrevendo uma carta elogiando o seu serviço, mas, sinceramente, vou te contar! Que servicinho de merda... Cadê o meu inverno? Como assim o senhor decide que por aqui vai rolar dois verões por ano? Pior, sem comunicar nada, sem pedir opinião... Eu, hein?! Se pelo menos a gente tivesse perto da praia, a história mudaria... Mas aqui, nessa cidade abafada... Dois verões pra que? Pra ferver nossos miolos?
E agora? O que a gente faz com todos os casacos e edredons que estão estocados? Como que a gente acende a lareira? E o friozinho na fazenda, como que fica? E o mais importante: como que eu vou comer aquele foundie delicioso que a minha tia faz todo inverno na casa dela? Com esse calor do cão, a gente só tem vontade de andar pelado e tomar sorvete. Isso sem falar que pra dormir é uma merda! E esse tempo seco, sem chuva? Haja Sorine com essa umidade do ar mixuruca. Quanta "pãoduragem" de água, hein! Francamente, o senhor tem decepcionado, viu!Qual é? Tá usando droga escondido? Ou arrumou uma paquera nova que tá te deixando meio bobo? Só pode, né?! Onde já se viu um senhor com essa idade, agindo feito um adolescente rebelde! Francamente, o senhor já foi mais competente.
Finalmente, espero que dê a devida atenção ao meu apelo e devolva meu inverno o quanto antes. Abre esse torneira ai, deixa a água descer e liga o ar condicionado celestial, pelo amor de Deus. Passar bem.
Felipe Linhares
30 de julho
[É verão... - Jammil e uma noites]
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